AFINAL, QUEM SÃO OS IMIGRANTES?
A História da
humanidade, é uma História de movimento, é a História da busca de uma vida
melhor, a luta contra adversidades, e para isso, é a mudança de um local de
origem para outro novo local. Foi assim na Pré-História, é assim nos dias
atuais.
E assim, se deu
na formação da Europa, onde povos saídos da Ásia, passavam a migrar para a
região européia.
Outro ponto
importante a ressaltar, é o fato do território europeu, estar mais aberto a
receber povos de outros locais, contribuindo para a mão-de-obra, absorção de
pessoal num território se pensarmos pequeno , num território sem grandes
recursos naturais, enfim, esta absorção, se dá para a própria manutenção do
Continente.
Outra questão, se dá no fato dos europeus, utilizarem a
imigração, também como mola propulsora de dominação de territórios. E á partir
do Século XV, com o advento de novas tecnologias e avanços científicos, se deu
as Grandes Navegações, e assim, no caso
mais específico das Américas, as conquistas dos territórios e regiões, se deram
em caráter de imigração, já que não pode haver dominação colonial, sem uma
habitação no território dominado, e junto á isso, a escravidão africana, foi uma forma de imigração involuntária.

No caso
brasileiro, em pouco mais de três Séculos, chega ao território, entre 5 á 6
milhões de africanos, este fator, causa uma queda da população demográfica no
Continente africano, onde passaram a chamar de “O HOLOCAUSTO AFRICANO”. Fica
claro desta maneira, que os europeus contribuíram para a formação de uma nova
identidade á região e também em outros locais do América Latina, e também
gerando, uma maior forma de contato entre culturas, pessoas
e produtos pelo Planeta. A partir deste momento histórico, a América e o Brasil, terão laços
duradouros, seja de forma involuntária ou mesmo voluntária.
Com a Revolução
Industrial ocorrida na Europa no Século XIX, tendo a Inglaterra como pioneira,
teremos a consolidação do Capitalismo no mundo, e uma necessidade de escoamento
populacional, de mercadoria, além da busca de Matéria-Prima, Mão-de-obra mais
baratas, esta nova forma de colonização, de caráter Capitalista, volta seu foco
para a África e Ásia. Com isto, passa a existir uma grande leva de imigrantes
europeus para suas colônias e muitos colonos, também passam á migrar para as
Metrópoles européias. Devido a isto, podemos afirmar que muitos europeus de
hoje, tem como ancestrais imigrantes.
Neste mesmo período, no Brasil, do Século XIX, Brasil, com a chegada da Corte
Portuguesa ao Brasil em 1808, passava a receber imigrantes europeus, e com a
“Abertura dos Portos ás Nações Amigas“, onde devido á este fato removia o
Monopólio de Portugal ao comércio no Brasil, promoveu a entrada de muitos
imigrantes, se tornando o 4º país nas Américas, a receber estrangeiros em seu
solo. As características destes imigrantes, geralmente comuns em muitos pontos
em todos imigrantes: maioria masculina, pobres, jovens e em busca de novas
oportunidades, terá seu auge, á partir dos anos 1850 , período no Brasil
onde a escravidão vinha perdendo
força e sua abolição era questão de
tempo, começava a trazer imigrantes europeus , onde visavam suprir a
mão-de-obra escrava, por ser qualificada e barata, e um outro fator, depois de
ocorridos como a Revolução do Haiti, onde negros escravos fazem a
Independência, além de uma grande maioria negra no Brasil, agora um país
Monárquico, a relação era de que a cada branco, existiam três negros, portanto
existia um pavor de uma possível “Haitinização”, além de também, uma tentativa
de uma “Política de Branqueamento” no país, pois devido á uma visão
eurocentrista na ciência, onde era dito que o principal motivo de atraso da
América Latina, era a mestiçagem. Então,
inicialmente, chega ao Brasil, irlandeses, Suíços, Italianos, Ucranianos,
Russos, Poloneses, Espanhóis, Portugueses, Árabes, Chineses, todos inicialmente
para trabalhar nos campos, onde o governo brasileiro, oferecia terras para os
colonos, onde a Economia se baseava no Café.

O auge da grande leva de imigrantes europeus para o Brasil
vai até o inicio da década de 1930.
Este período, é conhecido como “ERA VARGAS”(1930-1945), em
1929, o mundo Capitalista, passara por uma crise econômica, com a queda da
Bolsa de NY, e obviamente, que o Brasil passaria por condições devastadoras na
economia, onde afetaria a grande exportação do café ao mundo, e assim, apenas o
comércio interno de outros produtos movimentava a economia, onde se daria
principalmente na região Sul, por colonos europeus. Em 1934, Getúlio Vargas,
decretava a “LEI DE COTAS”, onde se reduziria em muito a entrada de imigrantes,
sob a justificativa da possibilidade de haver muita demanda de mão-de-obra, o
que poderia gerar desemprego, mas, existia também uma lógica ideológica, pois existia
principalmente nas áreas urbanas, a existência grande de imigrantes europeus,
onde muitos tinham a ideia de luta de Classes, e as ideologias que circulavam
no mundo operário, era de anarco sindicalistas e socialistas. Assim dos
imigrantes que chegavam, 80% era
encaminhado para o setor rural.
No período da 1º
e 2º Guerras Mundiais, juntamente com fugas de Regimes ditatoriais, como o Nazi
Fascismo, O Regime Soviético de Stálin, a Ditadura espanhola do General Franco,
irão contribuir a chegada de vários imigrantes europeus em diversos locais e
países das Américas, no pós guerra a imigração continuou, contribuindo na
formação do Continente.
Nos dias atuais,
a crise de refugiados na Europa é algo que aparece aos do mundo, porém, não é
algo novo e nem ao menos impensável. Se pensarmos que no processo da
Geopolítica mundial , não permite se mais perguntarmos quando , e sim como e o
que fazer .
Esta crise,
permite colocar em xeque, várias questões
de como a Europa e o Ocidente, vem lidando com a hegemonia mundial.
Quanto mais o mundo se desenvolve, mais perdido parece estar, o Ocidente , não
soube lidar com tal questão. E por irônico que seja, A Europa se torna a causa
e também a solução para a crise de refugiados. As regiões mais sensíveis, são
África e Ásia, no Oriente Médio, regiões, onde existiram formas de dominação,
política, econômica e cultural. Se outrora, a Europa apenas virou as costas
para situação destas regiões, hoje, aponta o dedo acusador, e como todo ato
gera uma consequência, vemos um radicalismo ocidental, como a xenofobia, o
ressurgimentos dos ultra conservadores e nacionalistas, É a “nova”Europa
encarando seus antigos fantasmas, e o passado preservado em sua essência com
uma nova roupagem. a reação nas regiões mais sensíveis na África e Ásia, se
manisfestando, como se o passado voltasse para acertos de contas. Ataques
terroristas, surgimento de facções religiosas e nacionalistas, radicais e anti
ocidentais, formação de grupos radicais recrutando inclusive , pessoas do seio
europeu para uma dita causa . Se antes o inimigo tinha face, hoje o inimigo são
vários, sem rosto, sem debates, sem ideologia.
Geralmente, as
regiões, envolvidas em crise: fome, guerras, miséria, falta de expectativa de
vida, alto grau de mortalidade, envolvendo a Questão Palestina, a Primavera
Árabe, guerras civis como a da Síria e entre tribos , como nas regiões da
África. Todos estes fatores de forma direta ou indireta, tem um toque
Ocidental, seja na forma de dominação, seja na forma de financiamentos de
Ditaduras para beneficiar interesses próprios, seja em apoio á um determinado
governo ao invés de outro, seja na deposição de lideres como no caso de Muamar
Kadaffi. Bem, os motivos existem, as raízes são indentificáveis, as origens de
certa f foram feitas de certa forma, como que “fabricadas”, pois são fatores
decisivos para o mundo se encontrar em tal situação. As soluções ainda não são
claras definidas,o que passa a existir é uma grande leva de refugiados
iraquianos, afegãos, sírios, nigerianos, libaneses, sudaneses do sul,
camaroneses, cada vez mais e cada vez em maior número.
Desta maneira, se
pensarmos o refugiado, se torna um ser sem cidadania, sem direitos, sem nome,
onde se deve aguardar a entrada permitida em algum país, passa a viver em locais
que nem países são, enquanto a principal medida, é passara conter o número de
entradas de refugiados ou mesmo, impor barreira , afim de impedir a entrada,
mas a questão vai mais além, e tal fator estremece, inclusive a estrutura da
EU, tal fuga dos países de origem destes refugiados, ganhou a alcunha de “O
Exôdo do Século XXI”, a falta de um diálogo entre os membros da EU se torna
imperativo, afinal de contas, o motor do desenvolvimento do homem no planeta,
se tornou possível, devido á possibilidade de circulação, de pessoas , ideias,
culturas, e este contato se tornou fundamental para as diversa transformações
descobertas, de prosperidade. Em um mundo Globalizado, este fatores ligados á ,
a fluidez, o contato, com produtos, pessoas e ideias se faz ponto central para
o bom funcionamento do Planeta, e
cercear tais movimentos, parece não mais surtir efeito, talvez estejamos
voltando aos tempos de cidades muradas e fortificadas num mundo que clama por
liberdade e fluidez

