sexta-feira, 27 de maio de 2016

DE VOLTA PARA O FUTURO: A NOVA IDADE MÉDIA

DE VOLTA PARA O FUTURO: A NOVA IDADE MÉDIA
    
Tal conceito não é novidade, sendo usado por autores de diversas épocas e de diversos ramos de estudo, como Roberto Vacca, Humberto Eco, Alain Minc, Giuseppe Sacco, Nicolás Berdiaeff, Furio Colombo, Jorge Angel Livraga.
    O Neo Medievalismo, ou Nova Idade Média, fruto das diversas crises e guerras no seio europeu e no mundo ocidental, como também em outras partes do mundo, o processo da intolerância, que se espalha pelo mundo entre povos e etnias, ou mesmo dentro de uma mesma sociedade, as várias doenças que vem se espalhando pelo mundo, o consumo desenfreado e o uso frenético dos recursos naturais, a fome, a escassez da água gerando uma crise hídrica entre as várias populações do mundo.
  E foi com o Fim da Guerra Fria, que de certa forma, houve uma quebra no equilíbrio de uma paz, mesmo que fabricada. Com o fim da Guerra Fria e a queda da União Soviética, a hegemonia do Globo passara aos EUA, se rememorarmos o Império Romano, onde seu domínio trazia mesmo que á força um apaziguamento dos povos, sob o signo de Pax Romana, a “Pax Americana”, não foi em nenhum aspecto sinônimo de paz. Mesmo com o surgimento de novas tecnologias, o surgimento da possibilidade de novas oportunidades, a diminuição das Ditaduras no mundo, a diminuição de armas de destruição em massa, não impediu que o mundo visse o surgimento de novos atores que insurgem contra o Ocidente, e também, o grande movimento de pessoas que fugindo de guerras e situações de miséria, passam a buscar novas fronteiras, acabam por transformar os novos locais, tal quais as “invasões bárbaras”, ocorridas em fins do Império Romano, mas com uma nova roupagem e contexto.
    Outro grande fator presente aos dias atuais se dá com a globalização do Capital e das grandes corporações, e com o apoio dos Estados ao Mercado á interesses privados, estes mesmo Estados Nacionais, outrora criados para regulamentação e do bom funcionamento enquanto Instituição e na gerência de seus concidadãos, agora se encontra fraco. Agora, dentro do próprio Estado Nacional, temos vários poderes de interesses privados, fragmentando o poder, feudalizando-se de certa maneira, a representatividade soberana para com seus cidadãos.
                        

    Tal fator gera uma falta de representatividade, e também uma falta de legitimação, além das diversas crises  geradas por escândalos diversos, seja na FIFA,CBF,PETROBRÁS,PANAMÁ PAPERS entre outras tantos criando e contribuindo para  uma sensação de vácuo de poder.
    A geração de uma grande falta de expectativa, junto á uma grande desigualdade social, promove certo temor e sensação de insegurança, surgimento de grupos, se tornando poderes paralelos, onde a regra não se dá pelas leis, mas por seus costumes e interesses, transformando as ruas e locais públicos cada vez mais perigosos, forçando as pessoas a se refugiarem cada vez mais dentro de suas casas, onde se transformam em fortalezas e local de segurança, assim como na Idade Média clássica. Junte a isso, a falta de locais seguros, a deterioração de bosques, da água e outros recursos naturais, das estradas e outros caminhos, possibilitam uma dificuldade de contato pessoal, aumentam a fome, as doenças, principalmente quando existe um grande aumento demográfico no Planeta.
   A tecnologia possibilitou a interação das ideias, das pessoas, das informações, mas o acesso ao conhecimento, ás oportunidades, não se deu de forma democrática. Desta maneira, uma pequena Classe “Douta”, culta, passa a deter o conhecimento, e sua transmissão se dá de maneira simples reduzida, simplificada, fragmentada, enxuto e sem grande profundidade, o que leva a maioria dos indivíduos á uma apatia e á um analfabetismo moral, político, social, filosófico. As ideias, assim como os produtos, nos chegam de forma rápida e efêmera e de forma excessiva e rapidamente descartável, não nos fornece o real conhecimento das coisas em si, o que torna tudo que o se produz, precário e na maioria das vezes nem temos conhecimento disto.
    No mundo atual, podemos perceber através dos noticiários, como o mundo anda perigoso, não importando o Continente. Os perigos são muitos, doenças, aumento de bolsões de pobreza, malfeitores de todas as espécies, seja por parte de grupos religiosos, ou mesmo grupos políticos entre outros, como ladrões comuns, o que como no mundo medieval, também nos traz medo e terror, principalmente com práticas terroristas políticas e hoje mais assustadora ainda o terrorismo religioso, causado por radicais extremistas. Tal fato, nos leva novamente á “perseguição dos hereges”, sua busca e captura hoje no caso a guerra contra o Islã.
     Esse terreno se torna propício para o surgimento de uma “diabolização” de ideias e atos suspeitos, assim como se faziam como os ditos hereges nos tempos medievais, o surgimento de seitas religiosas, e até de uma mendicância mística, contra o mundo material decadente e um possível fim do mundo, muito comum na Idade Média, muito comum entre os ideais Hippies.
     Guerras, fome e pestes, o mundo caminha assim e assim caminha a humanidade. Retrocesso? Talvez, Coincidência? Possível.

    Mas uma coisa é certa, a História é implacável!! Como disse um certo “velhinho do Século XIX”(Karl Marx ao fazer uma análise sobre a História): “A HISTÓRIA SE REPETE, A PRIMEIRA VEZ COMO TRAGÉDIA(Revoluções, mudanças drásticas), A SEGUNDA COMO FARSA(A repetição de fatos ou momentos históricos já ocorridos, mas que não ocorreria obviamente da mesma forma).

terça-feira, 12 de abril de 2016

Imigrantes na História

    AFINAL, QUEM SÃO OS IMIGRANTES?
       

  A História da humanidade, é uma História de movimento, é a História da busca de uma vida melhor, a luta contra adversidades, e para isso, é a mudança de um local de origem para outro novo local. Foi assim na Pré-História, é assim nos dias atuais.
       E assim, se deu na formação da Europa, onde povos saídos da Ásia, passavam a migrar para a região européia.
     Outro ponto importante a ressaltar, é o fato do território europeu, estar mais aberto a receber povos de outros locais, contribuindo para a mão-de-obra, absorção de pessoal num território se pensarmos pequeno , num território sem grandes recursos naturais, enfim, esta absorção, se dá para a própria manutenção do Continente.
     Outra questão,  se dá no fato dos europeus, utilizarem a imigração, também como mola propulsora de dominação de territórios. E á partir do Século XV, com o advento de novas tecnologias e avanços científicos, se deu as Grandes  Navegações, e assim, no caso mais específico das Américas, as conquistas dos territórios e regiões, se deram em caráter de imigração, já que não pode haver dominação colonial, sem uma habitação no território dominado, e junto á isso, a escravidão africana,  foi uma forma de imigração involuntária.


      
       No caso brasileiro, em pouco mais de três Séculos, chega ao território, entre 5 á 6 milhões de africanos, este fator, causa uma queda da população demográfica no Continente africano, onde passaram a chamar de “O HOLOCAUSTO AFRICANO”. Fica claro desta maneira, que os europeus contribuíram para a formação de uma nova identidade á região e também em outros locais do América Latina, e também gerando, uma maior forma de contato entre culturas,  pessoas  e  produtos  pelo Planeta. A partir deste momento  histórico, a América e o Brasil, terão laços duradouros, seja de forma involuntária ou mesmo voluntária.
      Com a Revolução Industrial ocorrida na Europa no Século XIX, tendo a Inglaterra como pioneira, teremos a consolidação do Capitalismo no mundo, e uma necessidade de escoamento populacional, de mercadoria, além da busca de Matéria-Prima, Mão-de-obra mais baratas, esta nova forma de colonização, de caráter Capitalista, volta seu foco para a África e Ásia. Com isto, passa a existir uma grande leva de imigrantes europeus para suas colônias e muitos colonos, também passam á migrar para as Metrópoles européias. Devido a isto, podemos afirmar que muitos europeus de hoje, tem como ancestrais imigrantes.
       Neste mesmo período, no Brasil,  do Século XIX, Brasil, com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil em 1808, passava a receber imigrantes europeus, e com a “Abertura dos Portos ás Nações Amigas“, onde devido á este fato removia o Monopólio de Portugal ao comércio no Brasil, promoveu a entrada de muitos imigrantes, se tornando o 4º país nas Américas, a receber estrangeiros em seu solo. As características destes imigrantes, geralmente comuns em muitos pontos em todos imigrantes: maioria masculina, pobres, jovens e em busca de novas oportunidades, terá seu auge, á partir dos anos 1850 , período  no Brasil  onde  a escravidão vinha perdendo força e  sua abolição era questão de tempo, começava a trazer imigrantes europeus , onde visavam suprir a mão-de-obra escrava, por ser qualificada e barata, e um outro fator, depois de ocorridos como a Revolução do Haiti, onde negros escravos fazem a Independência, além de uma grande maioria negra no Brasil, agora um país Monárquico, a relação era de que a cada branco, existiam três negros, portanto existia um pavor de uma possível “Haitinização”, além de também, uma tentativa de uma “Política de Branqueamento” no país, pois devido á uma visão eurocentrista na ciência, onde era dito que o principal motivo de atraso da América Latina, era a mestiçagem.  Então, inicialmente, chega ao Brasil, irlandeses, Suíços, Italianos, Ucranianos, Russos, Poloneses, Espanhóis, Portugueses, Árabes, Chineses, todos inicialmente para trabalhar nos campos, onde o governo brasileiro, oferecia terras para os colonos, onde a Economia se baseava no Café.
             
              
O auge da grande leva de imigrantes europeus para o Brasil vai até o inicio da década de 1930.
Este período, é conhecido como “ERA VARGAS”(1930-1945), em 1929, o mundo Capitalista, passara por uma crise econômica, com a queda da Bolsa de NY, e obviamente, que o Brasil passaria por condições devastadoras na economia, onde afetaria a grande exportação do café ao mundo, e assim, apenas o comércio interno de outros produtos movimentava a economia, onde se daria principalmente na região Sul, por colonos europeus. Em 1934, Getúlio Vargas, decretava a “LEI DE COTAS”, onde se reduziria em muito a entrada de imigrantes, sob a justificativa da possibilidade de haver muita demanda de mão-de-obra, o que poderia gerar desemprego, mas, existia também uma lógica ideológica, pois existia principalmente nas áreas urbanas, a existência grande de imigrantes europeus, onde muitos tinham a ideia de luta de Classes, e as ideologias que circulavam no mundo operário, era de anarco sindicalistas e socialistas. Assim dos imigrantes que chegavam, 80%  era encaminhado para o setor rural.
     No período da 1º e 2º Guerras Mundiais, juntamente com fugas de Regimes ditatoriais, como o Nazi Fascismo, O Regime Soviético de Stálin, a Ditadura espanhola do General Franco, irão contribuir a chegada de vários imigrantes europeus em diversos locais e países das Américas, no pós guerra a imigração continuou, contribuindo na formação do Continente.
     Nos dias atuais, a crise de refugiados na Europa é algo que aparece aos do mundo, porém, não é algo novo e nem ao menos impensável. Se pensarmos que no processo da Geopolítica mundial , não permite se mais perguntarmos quando , e sim como e o que fazer .
      Esta crise, permite colocar em xeque, várias questões  de como a Europa e o Ocidente, vem lidando com a hegemonia mundial. Quanto mais o mundo se desenvolve, mais perdido parece estar, o Ocidente , não soube lidar com tal questão. E por irônico que seja, A Europa se torna a causa e também a solução para a crise de refugiados. As regiões mais sensíveis, são África e Ásia, no Oriente Médio, regiões, onde existiram formas de dominação, política, econômica e cultural. Se outrora, a Europa apenas virou as costas para situação destas regiões, hoje, aponta o dedo acusador, e como todo ato gera uma consequência, vemos um radicalismo ocidental, como a xenofobia, o ressurgimentos dos ultra conservadores e nacionalistas, É a “nova”Europa encarando seus antigos fantasmas, e o passado preservado em sua essência com uma nova roupagem. a reação nas regiões mais sensíveis na África e Ásia, se manisfestando, como se o passado voltasse para acertos de contas. Ataques terroristas, surgimento de facções religiosas e nacionalistas, radicais e anti ocidentais, formação de grupos radicais recrutando inclusive , pessoas do seio europeu para uma dita causa . Se antes o inimigo tinha face, hoje o inimigo são vários, sem rosto, sem debates, sem ideologia.
     Geralmente, as regiões, envolvidas em crise: fome, guerras, miséria, falta de expectativa de vida, alto grau de mortalidade, envolvendo a Questão Palestina, a Primavera Árabe, guerras civis como a da Síria e entre tribos , como nas regiões da África. Todos estes fatores de forma direta ou indireta, tem um toque Ocidental, seja na forma de dominação, seja na forma de financiamentos de Ditaduras para beneficiar interesses próprios, seja em apoio á um determinado governo ao invés de outro, seja na deposição de lideres como no caso de Muamar Kadaffi. Bem, os motivos existem, as raízes são indentificáveis, as origens de certa f foram feitas de certa forma, como que “fabricadas”, pois são fatores decisivos para o mundo se encontrar em tal situação. As soluções ainda não são claras definidas,o que passa a existir é uma grande leva de refugiados iraquianos, afegãos, sírios, nigerianos, libaneses, sudaneses do sul, camaroneses, cada vez mais e cada vez em maior número.
  Desta maneira, se pensarmos o refugiado, se torna um ser sem cidadania, sem direitos, sem nome, onde se deve aguardar a entrada permitida em algum país, passa a viver em locais que nem países são, enquanto a principal medida, é passara conter o número de entradas de refugiados ou mesmo, impor barreira , afim de impedir a entrada, mas a questão vai mais além, e tal fator estremece, inclusive a estrutura da EU, tal fuga dos países de origem destes refugiados, ganhou a alcunha de “O Exôdo do Século XXI”, a falta de um diálogo entre os membros da EU se torna imperativo, afinal de contas, o motor do desenvolvimento do homem no planeta, se tornou possível, devido á possibilidade de circulação, de pessoas , ideias, culturas, e este contato se tornou fundamental para as diversa transformações descobertas, de prosperidade. Em um mundo Globalizado, este fatores ligados á , a fluidez, o contato, com produtos, pessoas e ideias se faz ponto central para o bom funcionamento do Planeta,  e cercear tais movimentos, parece não mais surtir efeito, talvez estejamos voltando aos tempos de cidades muradas e fortificadas num mundo que clama por liberdade e fluidez