DE VOLTA PARA O FUTURO: A NOVA IDADE
MÉDIA
Tal conceito
não é novidade, sendo usado por autores de diversas épocas e de diversos ramos
de estudo, como Roberto Vacca, Humberto Eco, Alain Minc, Giuseppe Sacco,
Nicolás Berdiaeff, Furio Colombo, Jorge Angel Livraga.
O Neo Medievalismo, ou Nova Idade Média,
fruto das diversas crises e guerras no seio europeu e no mundo ocidental, como
também em outras partes do mundo, o processo da intolerância, que se espalha
pelo mundo entre povos e etnias, ou mesmo dentro de uma mesma sociedade, as
várias doenças que vem se espalhando pelo mundo, o consumo desenfreado e o uso
frenético dos recursos naturais, a fome, a escassez da água gerando uma crise
hídrica entre as várias populações do mundo.
E foi com o Fim da Guerra Fria, que de certa
forma, houve uma quebra no equilíbrio de uma paz, mesmo que fabricada. Com o
fim da Guerra Fria e a queda da União Soviética, a hegemonia do Globo passara
aos EUA, se rememorarmos o Império Romano, onde seu domínio trazia mesmo que á
força um apaziguamento dos povos, sob o signo de Pax Romana, a “Pax Americana”,
não foi em nenhum aspecto sinônimo de paz. Mesmo com o surgimento de novas
tecnologias, o surgimento da possibilidade de novas oportunidades, a diminuição
das Ditaduras no mundo, a diminuição de armas de destruição em massa, não
impediu que o mundo visse o surgimento de novos atores que insurgem contra o
Ocidente, e também, o grande movimento de pessoas que fugindo de guerras e
situações de miséria, passam a buscar novas fronteiras, acabam por transformar
os novos locais, tal quais as “invasões bárbaras”, ocorridas em fins do Império
Romano, mas com uma nova roupagem e contexto.
Outro grande fator presente aos dias atuais
se dá com a globalização do Capital e das grandes corporações, e com o apoio
dos Estados ao Mercado á interesses privados, estes mesmo Estados Nacionais,
outrora criados para regulamentação e do bom funcionamento enquanto Instituição
e na gerência de seus concidadãos, agora se encontra fraco. Agora, dentro do
próprio Estado Nacional, temos vários poderes de interesses privados,
fragmentando o poder, feudalizando-se de certa maneira, a representatividade
soberana para com seus cidadãos.
Tal fator gera uma falta de
representatividade, e também uma falta de legitimação, além das diversas
crises geradas por escândalos diversos,
seja na FIFA,CBF,PETROBRÁS,PANAMÁ PAPERS entre outras tantos criando e contribuindo
para uma sensação de vácuo de poder.
A geração de uma grande falta de
expectativa, junto á uma grande desigualdade social, promove certo temor e
sensação de insegurança, surgimento de grupos, se tornando poderes paralelos,
onde a regra não se dá pelas leis, mas por seus costumes e interesses,
transformando as ruas e locais públicos cada vez mais perigosos, forçando as
pessoas a se refugiarem cada vez mais dentro de suas casas, onde se transformam
em fortalezas e local de segurança, assim como na Idade Média clássica. Junte a
isso, a falta de locais seguros, a deterioração de bosques, da água e outros
recursos naturais, das estradas e outros caminhos, possibilitam uma dificuldade
de contato pessoal, aumentam a fome, as doenças, principalmente quando existe
um grande aumento demográfico no Planeta.
A tecnologia possibilitou a interação das
ideias, das pessoas, das informações, mas o acesso ao conhecimento, ás oportunidades,
não se deu de forma democrática. Desta maneira, uma pequena Classe “Douta”,
culta, passa a deter o conhecimento, e sua transmissão se dá de maneira simples
reduzida, simplificada, fragmentada, enxuto e sem grande profundidade, o que
leva a maioria dos indivíduos á uma apatia e á um analfabetismo moral, político,
social, filosófico. As ideias, assim como os produtos, nos chegam de forma
rápida e efêmera e de forma excessiva e rapidamente descartável, não nos
fornece o real conhecimento das coisas em si, o que torna tudo que o se produz,
precário e na maioria das vezes nem temos conhecimento disto.
No mundo atual, podemos perceber através
dos noticiários, como o mundo anda perigoso, não importando o Continente. Os
perigos são muitos, doenças, aumento de bolsões de pobreza, malfeitores de
todas as espécies, seja por parte de grupos religiosos, ou mesmo grupos
políticos entre outros, como ladrões comuns, o que como no mundo medieval,
também nos traz medo e terror, principalmente com práticas terroristas
políticas e hoje mais assustadora ainda o terrorismo religioso, causado por
radicais extremistas. Tal fato, nos leva novamente á “perseguição dos hereges”,
sua busca e captura hoje no caso a guerra contra o Islã.
Esse terreno se torna propício para o
surgimento de uma “diabolização” de ideias e atos suspeitos, assim como se
faziam como os ditos hereges nos tempos medievais, o surgimento de seitas
religiosas, e até de uma mendicância mística, contra o mundo material decadente
e um possível fim do mundo, muito comum na Idade Média, muito comum entre os
ideais Hippies.
Guerras, fome e pestes, o mundo caminha
assim e assim caminha a humanidade. Retrocesso? Talvez, Coincidência? Possível.
Mas uma coisa é certa, a História é
implacável!! Como disse um certo “velhinho do Século XIX”(Karl Marx ao fazer
uma análise sobre a História): “A HISTÓRIA SE REPETE, A PRIMEIRA VEZ COMO
TRAGÉDIA(Revoluções, mudanças drásticas), A SEGUNDA COMO FARSA(A repetição de
fatos ou momentos históricos já ocorridos, mas que não ocorreria obviamente da
mesma forma).



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